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Nietzsche & Schopenhauer

Um blog optimista sobre o Benfica. setezero@iol.pt

terça-feira, setembro 30, 2003

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Inteligência e sofrimento. Se li a prosa de Pedro Mexia no pasquim da Avenida da Liberdade? Li, e então. Se concordo? Claro, claro que concordo. Se fiquei surpreendido? Não, é óbvio que não. Sempre as mesmas perguntas. Eu repito: «Só no degrau máximo da inteligência é que o sofrimento alcança o seu ponto supremo.» Artur
posted by slb  # 5:29 da tarde
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Supliciado. Diz o Ocidental Praia. «Benfiquistas amargurados, desiludidos e nostálgicos» há-os cada vez mais por aí. Nós, os homens graves e melancólicos, ficamos mais leves graças ao que torna os outros pesados. O ódio e o amor surgem, assim, de vez em quando à superfície. Frederico
posted by slb  # 4:58 da tarde

segunda-feira, setembro 29, 2003

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Precipício. Tudo bem. Digam-me, então, os mais optimistas onde posso encontrar algum ponto para não contrariar a solução de Michel de Montaigne: «À beira de um precipício só há uma maneira de andar para a frente: é dar um passo atrás». Nas exibições da equipa? No estilo do treinador? No director desportivo? Nas novas candidaturas à presidência do Benfica? Na novela da braçadeira de capitão? Na atitude dos jogadores? Sim, talvez só na história. Mas isso é justificação para os fracos. Por isso, hoje não tenho dúvidas. O passo à frente está próximo. Muito próximo. Artur
posted by slb  # 6:37 da tarde
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Miguel Sousa Tavares. «Jantávamos, depois de regressar das Antas, seis portistas e um benfiquista. O benfiquista calado, os portistas comentando preocupados a triste exibição dos dragões na vitória de 2-0 sobre o Benfica. Tínhamos todos consciência de que a exibição não justificara o resultado e de que o Porto só ganhara porque não tinha cometido nenhum erro fatal e o Benfica cometera dois» – quem se despreza a si próprio não deixa mesmo assim de se respeitar como desprezador. Frederico
posted by slb  # 5:16 da tarde
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Bem vindo ao clube. O Niilista Optimista diz: «não creio, mas tenho fé». Eu tenho fé, mas não creio. Frederico
posted by slb  # 9:12 da manhã
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Eficácia. Tiago: oitenta minutos em campo, dois remates, dois cartões amarelos, um golo. Terrível. Frederico
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Toni volta. Estás perdoado. «Às vezes torna-se complicado jogar contra dez». De facto. Frederico
posted by slb  # 8:54 da manhã

domingo, setembro 28, 2003

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A bola era dele. Numa das suas crónicas, o jornalista Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues, descreveu Romeu Pelliciari, «o careca que jogava de gorro na cabeça». «O importante era ter a bola nos pés, dominada dócil, escondê-la, prendê-la. E Romeu Pelliciari fugia dos jogadores do Flamengo, evitava-os, fazia circunlóquios com a bola. Não dava a bola a ninguém. A bola era dele, só dele.» Nos últimos anos, e depois de mais de trezentos futebolistas contratados, o Benfica nunca mais conseguiu encontrar um jogador em que «a bola era dele, só dele», um jogador que espalhasse classe na «grama». Um lampejo de bola, enfim. Tivemos Edilson. Por muito pouco tempo. Artur
posted by slb  # 3:15 da tarde
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Sinais. Hoje, 26 de Setembro, é dia de S. Cosme e S. Damião. Dois mártires. Não augura nada de bom. Frederico
posted by slb  # 10:25 da manhã

sábado, setembro 27, 2003

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Como explicar o futebol a intelectuais? (7) É um jaquinzinho, sportinguista, mas liberal e preocupado com o Glorioso: «Há um candidato a presidente do Benfica chamado Guerra Madaleno. Sportinguistas e Portistas unidos, apoiam-no.» É verdade. E a culpa é nossa. Frederico
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Como explicar o futebol a intelectuais? (8) O não esperem nada de mim do jornalista, escritor e sportinguista Joel Neto pede, simpaticamente, o nosso encerramento. Vindo de quem vem, outra coisa não seria de esperar. Frederico
posted by slb  # 11:15 da manhã
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Troca. Seara ameaça deixar a Câmara de Sintra – ao seu amigo sportinguista Luís Duque – para integrar a lista de Vieira candidata ao Benfica. Não é a intensidade dos sentimentos elevados que faz os homens superiores, mas a sua duração. Frederico
posted by slb  # 10:45 da manhã
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Domingo. O Benfica volta às competições domésticas. E, como tem sido hábito este ano, joga em casa emprestada – no Estádio Nacional, com o Nacional. Não é mau, mas também não é bom. Frederico
posted by slb  # 10:43 da manhã

sexta-feira, setembro 26, 2003

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Como explicar o futebol a intelectuais? (4) Poderá, verdadeiramente, um blog ser de esquerda sem ser do Benfica. Não! Definitivamente. É pelas próprias virtudes que se é mais bem castigado. Frederico
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Como explicar o futebol a intelectuais? (5) Parece nome de claque mas não é. Apesar de na Quinta Coluna serem só três, e todos benfiquistas confessos, fazem barulho que se fartam. São um caso de coração preso, espírito livre. Quando se prende fortemente o coração e se lhe tomam as rédeas, podem-se dar muitas liberdades (que são sempre poucas) ao espírito. Frederico
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Como explicar o futebol a intelectuais? (6) Se se tiver carácter tem-se também uma vivência típica e própria que sempre se repete. É o caso deste benfiquista ferrenho. De qualquer forma é só maizumpómonte. Frederico

posted by slb  # 12:31 da tarde
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Madaleno. Cuidado. A loucura é rara nos indivíduos, mas é regra, nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas. Frederico
posted by slb  # 12:28 da tarde
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Momento. Os mais apaixonados podem sempre dizer que se tratou de um pormenor. O conceito é indiferente. Pormenor ou não, aquele episódio foi muito revelador. Não, não se trata da troca de capitão, da candidatura de Jaime Antunes ou das declarações de Manuel Vilarinho. Isso é vidinha corrente. O que se passou naquele minuto, ao contrário, marca a passagem de uma fronteira fatídica. Refiro-me aos festejos exuberantes dos jogadores quando Simão marcou o golo em Charleroi. A grandeza do Benfica é letra morta. Sim, aquele minuto provou-o. Mais uma vez. Artur
posted by slb  # 11:42 da manhã
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Vieira/Antunes.
Agora –
entre dois nadas
encurvado,
um ponto de interrogação,
um enigma cansado –
um enigma para aves de rapina
Frederico
posted by slb  # 9:05 da manhã
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Como explicar o futebol a intelectuais? (1) O médico que explica medicina a intelectuais prescreveu-nos aos seus leitores. Diz, num post recente, que «não [é] parvo, nem and[a] de olhos fechados». É, nitidamente, conversa de portista. Isto porque a seguir acrescenta: «Mas agora vou fechá-los» – quando os árbitros favorecem a sua equipa, acrescentamos nós. Só pode ser de Paranhos, ou coisa parecida, mas simpatizante do dragão. Tenta descobrir nas Antas aquilo que o clube do coração lhe não dá. De facto, a vontade de superar um afecto não é, em última análise, senão vontade de um outro ou de vários afectos. Frederico
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Como explicar o futebol a intelectuais? (2) O abrupto ignora o fenómeno da bola. Ai como eu gostaria de ser ele. Do Porto, com amigos do Boavista e só descobrir o futebol durante a campanha eleitoral. Mas, quem, em prol da sua reputação, não se sacrificou já uma vez – a si próprio? Frederico
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Como explicar o futebol a intelectuais? (3) Aviz, de Francisco José Viegas, é no Alentejo, mas é do Porto. Ama o dragão e o dragão retribui. Cuidado: o amor correspondido deve, em rigor, desiludir quem ama sobre o ser amado. Frederico
posted by slb  # 8:46 da manhã

quinta-feira, setembro 25, 2003

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Tristeza. Tenho poucos dias assim. Aliás, considero a manifestação pública dos afectos um sinal dos fracos. Mas hoje - devo escrever - rendo-me a eles. E rendo-me, novamente, a Nelson Rodrigues - quando acaba aquele texto com o seguinte parágrafo: «Eu sou um brasileiro triste! É, um brasileiro triste, o brasileiro, diga-se de passagem, de uma maneira geral, não sou eu só, está sempre a um milímetro da melancolia, na esquina, no boteco, ele está sempre roendo melancolias milenares.» Artur
posted by slb  # 10:55 da manhã
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Burrices. Pode um burro ser trágico? Sucumbir sob um fardo que não pode carregar nem sacudir? É o caso de Vilarinho. Frederico
posted by slb  # 9:49 da manhã
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Defesa. Luisão, Argel, Miguel e Rocha têm uma tal exuberância na bondade que até parece ser maldade. Frederico
posted by slb  # 9:46 da manhã

quarta-feira, setembro 24, 2003

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Braçadeira. Camacho demorou a descobrir que é mais difícil ferir a nossa vaidade, justamente quando foi ferido o nosso orgulho. Devolveu a alma a Simão. Fez bem. Frederico
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Passado. O Benfica já defrontou o Lokeren, o Liège, o Lièrse. Todos daquele país que tem um rei, fala vários idiomas e onde, de vez em quando, habita jpp. Há, no entanto, um nome que nos lembra o pior: Anderlecht. Esqueçamos. À força de se andar à procura das origens transformamo-nos em caranguejos. Olha-se para o passado e, no fim, teme-se o passado. Frederico

posted by slb  # 4:27 da tarde
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Insignificâncias. Só há poucos minutos tive tempo para ver as capas dos pasquins. Ao que parece, José António Camacho escolheu Simão como novo capitão de equipa. Terminado o intervalo, volto à biblioteca. E recordo-me do que escrevi. «Com coisas importantes as pessoas cuidam-se; com insignificâncias seguem, sem grande reflexão, a sua natureza.» Artur
posted by slb  # 4:01 da tarde
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Matéria de sonhos. Ontem, na SIC Notícias, ouvi atentamente o que disse Jaime Antunes, um dos candidatos à presidência do Benfica. Na habitual linguagem tecnocrática, discorreu sobre liderança, racionalização, gestão e objectivos. Nem por uma vez falou de sonhos. «A tarefa de modelar a matéria incoerente e vertiginosa de que se compõem os sonhos é a mais árdua a que se pode entregar um homem», escreveu Jorge Luís Borges. O futebol é assim. Tal como o presente, o futuro afigura-se negro. Artur
posted by slb  # 11:11 da manhã

terça-feira, setembro 23, 2003

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A caminho do terceiro. «Nós, apaixonados do futebol, temos uma forma adicional de medir o tempo de que, sem dúvida, carecem os outros indivíduos: a realização do Campeonato do Mundo de selecções de quatro em quatro anos.» Sim, mais uma vez Javier Marías. Nós, adeptos do Benfica, adquirimos outra forma de medir o tempo. Bem mais longa. Dois Mundiais a caminhar para três. Por vezes, Marías, esse génio, consegue contribuir para a minha depressão. Artur
posted by slb  # 5:41 da tarde
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Sentença. «O Benfica está no lugar em que sempre deveria ter estado». Leio o título. Atónito, procuro quem proferiu tal sentença. Claro, Manuel Vilarinho. Tento voltar a dormir rapidamente. Artur
posted by slb  # 12:02 da tarde
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A resposta. Todo o discurso futebolístico está cheio de amarras. Conhecemo-las de cor. Os jornalistas fazem sempre as mesmas perguntas, e os jogadores, já estudado o cardápio, respondem igualmente com frases feitas. Talvez um dia um jogador do Benfica diga: «Jogo futebol porque sim». Apenas. Talvez um dia. Eduardo Galeano já avisara: «À medida que o desporto se fez indústria, foi desterrando a beleza que nasce da alegria de jogar simplesmente porque sim.» Está lá tudo. «Porque sim». Artur
posted by slb  # 11:36 da manhã
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Ainda as Antas. O Sporting tinha lá ido pagar a factura. Nós fomos dar a gorjeta. Frederico
posted by slb  # 8:49 da manhã
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Outono. Hoje é dia de equinócio. Depois, seguir-se-à o Inverno do nosso descontentamento. Oxalá a Primavera se lembre, finalmente, de nós. Frederico
posted by slb  # 8:47 da manhã

segunda-feira, setembro 22, 2003

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A baliza era deles e os golos foram nossos. «Quem aprecia o espraiar da genialidade tens duas razões para torcer hoje [ontem] pelo Porto: o Deco, e os deliciosos comentários do blogue N&S» – disse o Avatares de Um Desejo. Tragicamente, nós cumprimos a nossa parte. Não temos culpa que o Deco não tenha cumprido a dele. Frederico
posted by slb  # 2:30 da tarde
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Perfume. Os primeiros 25 minutos surpreenderam-me. Havia ali fragâncias de outra década. Havia também elegância, autoridade, criatividade. Sozinho, não conseguia perceber se tudo aquilo era o prolongamento da minha tarde de sono e de sonhos. Miguel acordou-me. Agradeço-lhe. Artur
posted by slb  # 11:14 da manhã
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Em forma de agradecimento. Nos últimos dias, li pequenos textos bastante elogiosos sobre este espaço. Agradeço muito cordialmente a Avatares de Um Desejo, A Praia, Blog de Esquerda e Barnabé. Muito gentis, estes senhores. No entanto, levantam-se dúvidas sobre se vejo os jogos do Benfica até ao fim. Tem dias – como em tudo na vida. Ontem, por exemplo, desliguei a televisão depois do golo de Argel. Percorro, depois, o corredor até à biblioteca. Lá estava. «Sou muito amante da verdade, mas em caso nenhum do martírio». Sim, foi Voltaire. Artur
posted by slb  # 10:58 da manhã
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2-0. Como de costume fomos os melhores. Até nos erros. Frederico
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Mourinho no Caminho da felicidade. Um sábio perguntava a um louco qual era o caminho da felicidade. O louco respondeu-lhe imediatamente, como alguém a quem se pergunta o caminho da cidade vizinha: «Admira-te a ti mesmo e vive na rua». «Alto lá», exclamou o sábio, «pedes demais, basta já que nos admiremos!» E o louco respondeu logo: «Mas como admirar sem cessar se não nos desprezarmos constantemente?» Frederico
posted by slb  # 9:45 da manhã

domingo, setembro 21, 2003

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Engenheiro. Não querendo, de forma alguma, entrar em polémica com o Artur, tenho que fazer uma referência ao seu último post para referir a verdadeira história do cristianismo. A própria palavra «cristianismo» é já um equívoco – no fundo só existiu um cristão, e esse morreu na cruz. Não em Alvalade. Frederico
posted by slb  # 10:03 da manhã
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Mais logo. Tu, ó meu Querer, milagre para toda a angústia, tu, minha necessidade. Livra-me das vitórias mesquinhas! Frederico
posted by slb  # 9:59 da manhã

sábado, setembro 20, 2003

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Antes imbecil. Já aqui o escrevi. O treinador espanhol do Benfica é um imbecil. Não altero uma letra. No entanto, quando ontem li – sim, num pasquim – que o sr. Fernando Santos tem um compromisso com Cristo, suspirei de alívio. Antes imbecil. Artur
posted by slb  # 3:19 da tarde
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Baralho. «Tanto se perde por uma carta a mais como por uma carta a menos.» A evocação desta frase de Cervantes é obrigatória antes de qualquer clássico de futebol. Mas, confesso, tenho um problema quanto a isso. Quando penso no jogo de amanhã, só me vem à memória a imagem de um baralho. Sim, por um baralho também se perde. Artur
posted by slb  # 3:11 da tarde

sexta-feira, setembro 19, 2003

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Blogosfera. Andam a falar de nós na rede. Eu esperava um eco e só ouvi elogios. Fala o desiludido. Frederico
posted by slb  # 8:16 da manhã
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Pedroto. Quando passava a ponte, rumo ao sul, dizia que já estava a perder por um. Agora é ao contrário: os adversários quando entram nas Antas já estão a perder por dois. Frederico
posted by slb  # 8:12 da manhã
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Qualquer ínfima esperança morrerá à entrada do estádio. «Zahovic deverá voltar ao onze na partida de Domingo». Ninguém me manda comprar pasquins. Artur
posted by slb  # 1:03 da manhã
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Automatismos. É frequente ouvir: «a equipa precisa de automatismos», «quando criar os seus automatismos, a equipa pode render mais», «os automatismos estão criados». A linguagem tecnocrata que domina as mentes do futebol nacional banalizou estas receitas de pacotilha. Pura pacotilha. Deve-se, então, recordar as palavras de Eduardo Galeano, esse outro mestre uruguaio. «A tecnocracia do desporto profissional tem imposto um futebol de pura velocidade e muita força, que renuncia à alegria, à fantasia e proíbe a ousadia. Por sorte, ainda aparece nos campos, embora muito de vez em quando, algum cara-de-pau maltrapilho que sai do libreto e comete o disparate de driblar toda a equipa rival, o árbitro, e o público das arquibancadas, pelo puro gozo do corpo que se lança à proibida aventura da liberdade.» Depois de ler Galeano, quando olho para o Benfica vejo sempre uma linha de montagem. Artur
posted by slb  # 12:46 da manhã

quinta-feira, setembro 18, 2003

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Aviso. Alguns dos nossos textos estão a aparecer a bold. Só em alguns computadores. Caro leitor, é um problema que escapa à nossa vontade. Pensou que era luto? Nada disso. Coisas da tecnologia. Artur e Frederico
posted by slb  # 11:07 da tarde
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Nuno Gomes. «Podemos fazer um bom resultado». Podemos?! O atractivo do conhecimento seria pequeno se no caminho que a ele conduz não houvesse que vencer tanto pudor. Podemos?!... Frederico
posted by slb  # 12:16 da tarde
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Máscara. Há adeptos que ainda acreditam que o Benfica tem craques. E lá dizem:«Sim, sim, porque temos Simão, Geovanni, Nuno Gomes, Zahovic – pelo menos». Percebe-se. São adeptos – no que isso tem de mais contraditório. Eu também sou adepto, mas tenho uma ligeira vantagem. É que guardo comigo um recorte sagrado do Jornal dos Sports, de 31 de Agosto de 1966, onde Nelson Rodrigues, esse cronista de génio, conclui: «De mais a mais, a máscara é a compensação do subdesenvolvido.» Artur
posted by slb  # 10:36 da manhã

quarta-feira, setembro 17, 2003

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Eu Vou Mas Volto. Do autor deste blog recebemos um «humilde comentário». Do recomentário se encarregará o destinatário. Mas, metendo a foice em seara alheia, sempre quero perguntar ao José Carlos Soares se a memória lhe chega para se lembrar dos tempos em que o Benfica, de tanto viajar, até corria o risco de partilhar o espaço de uma pequena ilha no meio do Mediterrâneo com o FC Porto. Tempos em que era impossível o Mostovoi marcar golos ao Glorioso. Frederico
posted by slb  # 5:06 da tarde
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Simão. Diz um pasquim – utilizando a linguagem do Artur – que a «lesão no quinto metatarso do pé direito» do ex-capitão do Glorioso deixou de ser um problema. Felizmente lesionou-se no pé esquerdo, o que «não o impedirá de jogar nas antas». Felizmente! Assim todos o vamos desculpar por ter jogado tão mal. Frederico
posted by slb  # 4:25 da tarde
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Correio. Gabriel Gonçalves é muito generoso. Diz que conseguimos «jogar com os dois pés» e que gosta «de pessoas que conseguem rir de si próprias, mas [nós abusamos] …» É verdade, mas é sem querer. O mérito vai todo, infelizmente, para os resultados do Benfica. Frederico
posted by slb  # 11:52 da manhã
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Uma ideia de futebol.
- Nós somos uns executantes, não fazemos mais do que cumprir ordens.
- Do treinador, esse fantasma sem caridade?
- Não, minha senhora, das nossas consciências.

Onze Contos de Futebol, Camilo José Cela, Asa 2002
posted by slb  # 9:03 da manhã
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Equivalências. A mediocridade gritante não se discute. Nunca. Já o defendi anteriormente. Por isso, não falarei de um senhor que se chama Alex. Só o director desportivo do Benfica é que encontrou ali um jogador. Não duvido. Equivalem-se. Artur
posted by slb  # 8:56 da manhã

terça-feira, setembro 16, 2003

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Correio. Sim, ainda temos algumas mensagens bem cordiais por responder. Esperamos ter «tudo em dia» brevemente. Artur e Frederico
posted by slb  # 3:30 da tarde
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A infelicidade da entrevista. Tiago é um dos poucos jogadores que tem lugar no Benfica que qualquer adepto idealiza. No entanto, isso não significa que não tenha alguns momentos bem infelizes. Em entrevista a um pasquim diário não desportivo, há três dias, o jovem jogador falou pela primeira vez sobre o interesse do Barcelona. «É claro que mexeu um bocado comigo, mas já voltei à terra.» Se terminasse por aqui, nada havia a apontar. Ficávamos apenas pela metáfora meio cosmológica. Mas não. A «terra» a que o jogador se refere tem um nome. E vem logo na frase a seguir. «Que ninguém duvide que estou a cem por cento no Benfica e é no Benfica que penso e quero ganhar títulos.» Revelador. Artur
posted by slb  # 11:08 da manhã

segunda-feira, setembro 15, 2003

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Escondida na bandeirola de canto. Em 1963, Camilo José Cela, Nobel da Literatura, escreveu Onze Contos de Futebol (edições ASA, 2002). Ontem, ao terceiro golo do Belenenses corri para a biblioteca. Sim, estava lá. «É raro, mas não impossível, a morte estar escondida na bandeirola de canto.» Artur
posted by slb  # 12:58 da tarde
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Correio. Diz o Dragão: «Parabéns pelo vosso Blog... É fantástico. Tão fantástico que pus uma referência especial no meu blog como uma das grandes aquisições para a lista dos meus blogs... Continuem...». Continuem a quê? A perder jogos? Frederico
posted by slb  # 8:53 da manhã
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Damas. Morreu o homem que justificou alguns falhanços do Benfica. Com ele houve entrega, elegância e paixão. A favor e contra. Frederico
posted by slb  # 8:43 da manhã
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Camacho. Começamos a desconfiar das pessoas muito inteligentes quando ficam embaraçadas. Frederico
posted by slb  # 8:40 da manhã
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3 minutos. Temos de dar desconto. Temos de dar tempo. Temos de pôr o Camacho a andar. Frederico
posted by slb  # 8:38 da manhã

sábado, setembro 13, 2003

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A mediocridade não se discute. Questionam-me, por e-mail, se a minha escolha do pior «onze» da década não tem imperfeições. «Steve Harkness em vez de El Hadrioui? Martin Pringle em vez de Marcelo? Akwá em vez de Hassan?». Caro amigo, quando a realidade é tão medíocre, difícil é não haver consenso – qualquer que seja o nome em causa. Por isso, passemos à frente. Artur
posted by slb  # 4:17 da tarde

sexta-feira, setembro 12, 2003

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Falta de nobreza. É difícil, quando se olha para os responsáveis do Benfica – aliás, é quase uma tarefa impossível –, encontrar quem escape ao peso bruto da ignobilidade. António Simões é o exemplo de excelência – logo atrás daquele senhor que lidera a SAD. Já aqui comentei as suas palavras depois do sorteio da Taça UEFA. Hoje, nos pasquins desportivos e não só, lá vem mais um frase do director desportivo: «Se McCarthy não joga [contra o Benfica] é boa notícia». Sempre soube que a falta de nobreza é um traço característico dos fracos. Artur

quinta-feira, setembro 11, 2003

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Um espanhol imbecil. «O objectivo do Benfica é dar um passo de cada vez para formar uma equipa forte no futuro.» Ontem, em declarações à imprensa espanhola, José António Camacho deu a estocada final nos poucos adeptos que ainda acreditam que o Benfica será campeão este ano. Está tudo na frase. Camacho é um espanhol imbecil. Nunca leu Javier Marías – sempre Marías. «No mundo do desporto tudo é pouco e nada basta, nada dura e na verdade só há frustração e desengano.» Artur

quarta-feira, setembro 10, 2003

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Amantes. «E é isso, pois, o que resta do velho Benfica: uma massa considerável de amadores sem coisa amada digna de tal afeição.» O retrato é de Álvaro Magalhães, escritor e adepto do FC Porto. Estamos de acordo: a «coisa amada» não é digna há, pelo menos, uma década. No entanto, os «amadores», só porque são uma massa considerável, não estão isentos de responsabilidade na falta de dignidade geral que assola o Benfica. Às vezes – aliás, na maioria das vezes –, é difícil avaliar quem é mais indigno de quem. Complexidades do amor. Essa coisa negra. Artur

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Dúvida existencial. Será que o novo estádio da Luz também vai ter uma capela? Artur

terça-feira, setembro 09, 2003

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Festejo com carácter. «Uma das coisas mais reveladoras do carácter e personalidade de um jogador (e da sua equipa, por extensão) é a forma de gritar e festejar um golo.» Sempre Marías, esse génio. Tenho como garantido que o festejo mais sublime– que tem sempre a necessária dose de humilhação do adversário – é aquele em que o jogador simplesmente não festeja, mesmo que marque no último minuto e isso signifique ganhar a Liga dos Campeões. Na verdade, em muitos jogos do Benfica tenho notado que isso acontece. Não se trata, neste caso, do carácter ou do estilo dos jogadores. As circunstâncias a isso obrigam. É que os golos que marcam já nada significam. A derrota está por poucos minutos. Artur
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Nomes. Já aqui o escrevi. João Pereira, a quem um pasquim chamou de «jovem prodígio», não tem nome de futebolista. Encerrei na altura a discussão sobre este caso. No entanto, lendo agora os nomes dos jogadores do Benfica para esta temporada, concluo que nenhum tem um nome que se preze. Verdadeiramente. Sim, há Tiago, é verdade, mas tem só um nome «futebolístico». O mesmo acontece a Miguel. Precisavam de um apelido. Simão Sabrosa é pouco elegante – tal como o jogador. Ricardo Rocha é um nome grosseiro. Mantorras nem se devia escrever. Luisão, Roger e Geovanni são nomes muito redondos. Carlitos, então, é um atentado. Não há, definitivamente. Thern, sim, era um nome. Jonas Thern. Artur

segunda-feira, setembro 08, 2003

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Miguel. Claro que apesar de tudo, só um benfiquista não chegava para aqueles espanhóis todos. Frederico
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Selecção. Afinal de contas a coisa não correu tão mal como se podia esperar. As grandes épocas da nossa vida são aquelas em que adquirimos a coragem de considerar como o nosso melhor aquilo que em nós há de mau. Frederico
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Mais correio. Ó Miguel N, a malta é assim, mas é benfiquista. Sabemos o que é sofrer, não ser compreendido... Frederico
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Correio. Escreve o Rui a nosso propósito: «Divertido, inteligente, diferente, filosófico, subtil, optimista...». Não te deixes entusiasmar. Este blog só acabará quando o Benfica voltar a envergar a faixa de campeão. Frederico

domingo, setembro 07, 2003

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Sempre em jogo. Só há um verdadeiro e sério pasquim desportivo em Portugal. Hoje, mais uma vez, comprovei-o. Enquanto que o meu pasquim noticiava que Mantorras talvez nunca mais jogasse futebol, num outro pasquim cor-de-rosa - sim, são dois - podia ler-se que, apesar da grave lesão, o jogador angolano ameaça voltar em Outubro. O meu pasquim fez-me sorrir. E isso é uma tarefa monumental. Artur

sábado, setembro 06, 2003

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Se fossem apenas duas semanas. «A alegria passada não pode fazer nada contra a angústia presente, aqui não existe a compensação da recordação, nem a satisfação pelo que foi alcançado, nem é evidente o agradecimento público pela alegria tida há duas semanas.» Javier Marías escreve-o numa crónica sobre futebol em 1992. Como este fabuloso escritor descreveu tão bem o que se passa com os adeptos do Benfica. Só há um pormenor: não tivemos nenhuma alegria nas últimas duas semanas. Nem nos últimos dois meses. Nem anos. Por isso, nada temos a agradecer. Artur
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Teme-se a catástrofe. «Simão é um pouco o rosto do Benfica desta temporada.» O jogador de nome Alex tem poucas qualidades futebolísticas, é certo, mas conseguiu apenas numa frase, publicada hoje num pasquim, confirmar o que eu mais temia. O campeonato está condenado ao fracasso. Pelo menos até Dezembro. Artur

sexta-feira, setembro 05, 2003

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Ousadia. Leio o título de hoje do melhor pasquim desportivo e, por um momento, fico um pouco menos pessimista. «Simões não fica». Segundos depois, leio que este assalariado como director desportivo sempre fica. Muda é de função. António Simões, caso a actual direcção ganhe as eleições, vai estar ligado à «prospecção» de jogadores. Nunca conseguiremos lutar pela felicidade. «A ousadia é, depois da prudência, uma condição especial da nossa felicidade.» Artur
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Há limites. O slogan de campanha do novo candidato à presidência do Benfica, Jaime Antunes, já é conhecido: «Por um Benfica grande em tudo». É pena. «Todo o homem toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo.» Artur
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Saudade. Preud'homme avisa Benfica. | Começa-se a advinhar o que vale alguém quando o seu talento começa a enfraquecer, – quando deixa de mostrar do que é capaz. O talento também é um adorno; um adorno também é um esconderijo. Frederico
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A propósito dos NNB. | Fui confundido com um nnb, mas há uma inocência na admiração: é a daquele a quem ainda não passou pela cabeça que também ele poderia um dia ser admirado. Frederico

quinta-feira, setembro 04, 2003

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Mais um. Segundo os pasquins do costume, o Benfica está muito interessado no médio espanhol De la Peña. Mais um. Ao que parece, o treinador está empenhado em que a transferência se concretize. «Os esforços sem trégua para banir o sofrimento só têm como resultado mudar-lhe o aspecto.» Artur
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Na volta do correio. Caro Miguel, é o melhor elogio que nos pode fazer. Sim, quando diz que «não consigo descortinar o vosso ‘optimismo’». Muito obrigado. Quanto à nossa possível relação com qualquer conjunto de energúmenos, aí o nosso caríssimo Miguel enganou-se. Frederico e Artur
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Correio. Escreve o Miguel N: «Gosto muito do blog, mas não consigo descortinar o vosso ‘optimismo’. A culpa é do Glorioso ou do Arthur? Toda a obra do Friedrich Wilhelm faz supôr que ali mora um verdadeiro No Name Boy, mas o Arthur é diferente, parece-me que o seu pessimismo se sobrepõe a tudo, mesmo que o lugar central dado ao irracional seja bastante nonameboyiano. Benfica sempre, para além do bem o do mal!»
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Felicidade. Porque é que não és um benfiquista feliz? Que ignorância revelam as pessoas que formulam esta pergunta – e são tantas. «Benfiquista feliz», já o disse, é uma contradição de termos. Artur

quarta-feira, setembro 03, 2003

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Início de época. Luis Filipe Vieira sentado na tribuna do Bessa. Manuel Vilarinho ao lado de Marques Mendes – também no Bessa. João Malheiro e as suas conferências de imprensa. António Simões a comentar o adversário da Taça UEFA. José António Camacho a pedir reforços. As birras de Simão. E Eusébio, Eusébio, sempre mais Eusébio. «A raça humana está de uma vez por todas e por natureza votada ao sofrimento e à ruína.» Artur
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Há pior? O adiamento do jogo Académica-Benfica é o caso mais vergonhoso do início deste campeonato que devia ser só de futebol. «Hoje é mau, e cada dia será ainda mais mau, até que o pior aconteça.» Artur
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Reflexões sobre aquele rapaz que parece treinar outros rapazes vestidos de azul e branco. | Certos pavões escondem de todos os olhos a sua cauda – chamando a isso orgulho. Um homem de génio é insuportável se, além disso, não possuir pelo menos duas outras qualidades: gratidão e asseio. Frederico

terça-feira, setembro 02, 2003

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Ateu. As minhas posições sobre o Benfica – e o futebol em geral – são motivo de várias qualificações. Do vasto reportório consta uma designação que nunca esqueci: «És um ateu da bola». Até os meus amigos assim pensam. Um «ateu da bola». Há uma semana, no programa Livro Aberto, na NTV, entre as várias histórias deliciosas que por ali se contaram, ouvi uma genial que versa exactamente sobre isto. Contou-a Manuel António Pina – e, para ser justo, vem publicada no livro Jogo Perigoso, 50 Crónicas do Futebol (edição Campo das Letras), da autoria de Álvaro Magalhães. É sobre um personagem do poema de António Mello:

«Jesus Cristo disse-nos que nunca tinha visto um jogo de futebol. De modo que os meus amigos e eu levámo-lo a ver um. Primeiro marcaram os Crusaders, que eram protestantes. Jesus aplaudiu e atirou ao ar o seu chapéu. Depois marcaram os Punchers, que eram católicos. E Jesus voltou a aplauadir. Tal atitude desconcertou alguém que lhe perguntou. ‘Afinal qual é a equipa de apoias, bom homem?’. ‘Eu? Não apoio nenhuma equipa. Aprecio o jogo, simplesmente.’, respondeu Jesus Cristo. O homem afastou-se dele com um gesto de desprezo e sussurou ao ouvido do seu vizinho do lado: ‘É um ateu!’.»

Quem me conhece – a mim, Artur – sabe que sou ateu, totalmente e resolutamente ateu. Mas eu nunca serei «ateu da bola», nunca. É a minha única religião. Assunto encerrado. Artur

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Correspondência. | Somos gajos habituados a escrever. Quem quiser a resposta adequada pode contactar-nos para setezero@iol.pt. Mas, atenção, no elogio há mais impertinência do que na censura. Frederico e Artur
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Parece que hoje jogam não sei quem. | Há um instinto do grau hierárquico que, mais do que tudo, é já sinal de um elevado grau hierárquico; há um prazer nas nuances do respeito que denuncia origem e hábitos aristocráticos. Frederico

segunda-feira, setembro 01, 2003

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Shaskespeare. A pergunta é pertinente. Porque é que eu ainda vejo - sempre como adepto - os jogos do Benfica? A culpa é de Nelson Rodrigues, esse génio das crónicas futebolísticas. «A mais sórdida peladinha é uma complexidade shakespeariana.» Artur
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Perigo. O Aviz, esse blog de referência – quiçá a referência – da blogosfera, escreve um post muito elogioso sobre este pobre e clandestino «muro das lamentações». Não queremos ser mal agradecidos, mas que prevemos o pior, lá isso prevemos… Frederico e Artur
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O fim de semana correu bem. O jogo foi adiado. | Cada vez mais me quer parecer que o filósofo, como um homem necessário do amanhã e depois de amanhã, esteve sempre e sempre esteve que estar em oposição ao seu hoje: o seu inimigo foi sempre o ideal de hoje. Frederico

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