Um blog optimista sobre o Benfica. setezero@iol.pt
Sexta-feira, Janeiro 23, 2004
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Última Vontade. Morrer assim / como outrora o vi morrer – , / o amigo que lançou relâmpagos e olhares / divinos na minha escura juventude: / – malicioso e profundo, / um bailarino na batalha –, // entre guerreiros o mais jovial, / entre vencedores o mais grave, / um destino sobrepujando o seu destino, / duro, pensativo, clarividente –: // estremecendo porque vencia, / exultando porque morrendo vencia –: // ordenando, ao morrer, / – e ordenou o aniquilamento... // Morrer assim / como outrora o vi morrer / vencendo, aniquilando... Nietzsche
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Taça. Porque será que hoje me sinto tão confiante? Frederico .
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Europa. Estão explicadas as dificuldades de acesso à web nos últimos tempos para os lados do Porto. Para a próxima vão disponibilizar uma linha dedicada de forma a não entupir o serviço. Frederico
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Fair-play?«Acho mal agressões e falta de "fair-play", mas um jogador não se vai atirar para o chão nunca mais? Faz parte do jogo. Nunca instruí ninguém nesse sentido, moralmente não é correcto, mas não vamos fazer disso um drama. Sou Santos mas não sou santinho, por isso não vou dizer a um jogador para não se mandar». Ó engenheiro, tem de ir já confessar-se. Isto parece-me muito pouco católico... Frederico
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Demasiado Azul. Será que o Aviz vai postar sobre a última noite? Mesmo o mais corajoso de nós só raras vezes tem a coragem de afirmar aquilo que ele propriamente sabe... Frederico
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Feitiço. Sou acusado por um gaijo de ser ave de mau agoiro. Há quem leve galinhas para o campo, amuletos para a baliza, entre em campo com o pé direito, contrate o bruxo Alexandrino, vire-se de costas na altura do penalti, use sempre a mesma camisola ou gravata. Eu desconfio de todos os sistemáticos e afasto-me do seu caminho. A vontade de sistema é uma falta de honestidade. Frederico
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De facto. Não foi penalti. De facto, ficou um cartão por mostrar logo no início do jogo. De facto, o Ricardo fez duas ou três defesas em bolas de golo. De facto, no dia 1 o plantel esteve de folga. De facto, pareceu que ontem também estavam. Frederico .
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Benfiquista. Nada como um árbitro benfiquista nos jogos do Glorioso. Já Carlos Valente – um benfiquista de Setúbal – sabia mostrar em campo a sua imparcialidade de forma a não deixar qualquer tipo de dúvidas em relação à sua honestidade. Frederico
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Expectativa. Diz o Carlos Nuno que se «contentava com um relâmpago de alegria no domingo» e que «as expectativas são para administrar a conta-gotas». Verdade. Às vezes, uma gota faz toda a diferença... Frederico
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Bom presságio. Há dez anos nasceu a minha primeira filha. Há dez anos (2003/2004) foi o glorioso campeão pela última vez. Há dez anos, a Joana chorou seis vezes de alegria enquanto eu assistia na televisão a um jogo de boa memória. O Manuel, que apenas tem alguns dias, já chorou três vezes. Será isto um bom sinal? Frederico .
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Regresso. Caro Artur estou de volta. Agora que o novo benfiquista se instalou, posso voltar às lides. Frederico
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Recordações. Histórias. Curtas, extensas, dramáticas ou humorísticas, mas com muitos pormenores. Os dias, por exemplo. Qualquer adepto tem, quando conta as suas histórias de futebol, um dia que nunca esqueceu. Um golo, uma defesa de génio, uma jogada de outro mundo, a conquista de uma taça europeia ou de um campeonato. Pego no calendário e folheio: 2003, 2002, 2001, 2000, 1999, 1998, 1997, 1996, 1995. Não vale a pena tentar repetir. Há cerca de dez anos que não há nada para recordar. Recordações, boas recordações de um dia de futebol. O Benfica é um clube sem histórias. Artur
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Espécie esculhambada II. Não percebo. Tanta limpeza na RTP e não se lembraram de limpar o pó, o imenso pó que envolve a repartição de desporto. Esses funcionários representam o que há de pior no benfiquismo. O jogo em Alverca provou-o pela milésima vez. Artur
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Espécie esculhambada. Desde logo, Simão a capitão. Depois, aqueles dois senhores, Armando e Fernando Aguiar, a jogarem noventa minutos. A vitória, nestas circunstâncias – medonhas circunstâncias – cobre os adeptos com o manto do enxovalho. Só apetece repetir, até à exaustão, aquela frase de João Ubaldo Ribeiro: «Ô espécie esculhambada que nós somos.» Artur
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Não acendia. É uma imagem recorrente. Adeptos nas bancadas a fumar charuto. Na Luz, por exemplo, encontram-se ainda alguns bravos sobreviventes. Nada tenho a apontar. Aliás, os meus Ramon Allones - os cubanos, meus caros, os cubanos - estão guardados, hoje, para receber grandes amigos. Admiro, portanto, a capacidade desses senhores, dos adeptos. Passo a explicar. Há pouco tempo tentei acender o meu Beldina em casa. Esforço em vão. Recusava acender-se - com aquela elegância particular do charuto feito por mãos micaelenses. Tentei várias vezes. Percebi, enfim, que não havia nada a fazer. Ele tinha razão. O verdadeiro prazer nunca seria possível. Não com o Benfica numa televisão ali tão perto. Aprendi, meus amigos, a lição - esta eterna lição. Artur
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Riso louco. O riso louco de Isaías depois dos golos. Sim, rematava muito - talvez demasiado. Mas quem não recorda aquele riso de gozo louco? Absolutamente louco. Artur .
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A Branca de Neve. Como será o futuro do Benfica? É muito simples. Basta ver o filme de César Monteiro. Está lá tudo. Artur
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Temos equipa. Tenho por adquirido que qualquer instituição bancária deve passar para o exterior uma imagem de credibilidade e rigor. É o mínimo. Pois bem, como todos sabemos, há uma instituição - não é necessário escrever o nome - que junta ao símbolo do Benfica, entre outros ícones futebolísticos, o slogan «Temos equipa». Aparece há muito na televisão. Rigor e credibilidade, lembram-se? Está nos manuais mais baratos, caramba. Artur
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Matrimónio, esse fatalismo. A ligação de muitos adeptos ao Benfica assemelha-se, com todo o apuro, a tanto casamento fracassado que domina este país. As expectativas sobre o que de bom se pode esperar da relação desapareceram há muito, mas ainda assim prolongam-na por anos e anos. E anos. De facto, por vezes, não sei se é o Benfica o espelho do país ou se é exactamente o contrário. Artur
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Caro Artur. A espera é angustiante. A minha e a dos adeptos benfiquistas. A minha, eu sei, tem um fim anunciado, mas a dos benfiquistas é difícil de calcular. Frederico
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Ultrajante. Não, não foi a derrota. Nada podia ser mais justo. Agora, o facto de o senhor de nome Armando ter jogado mais de dez minutos, isso sim, foi ultrajante. Artur
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Abismo. Deixemos de parte os primeiros trinta minutos nas Antas. O futebol que o Benfica vem praticando podia ser classificado, entre outros tantos epítetos, de «futebol de jardim de infância». Não arrisca, comete erros infantis, faz birra e ninguém joga como Derlei - no limite. Jogar na limite do abismo, uma das expressões de Javier Marías, é um dos traços dominantes de uma grande equipa. É mais perigoso, certamente. No futebol, só os medíocres têm medo. Artur
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Nunca mais é sábado. Sim, é só isto. E já é tanto, meus senhores. Artur .
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Simão e Roger. Dois golos fantásticos, é verdade. E então? Leiam Armando Nogueira, cronista brasileiro, por exemplo. «Meus amigos, gol de craque não é apenas um chute perfeito; é, também, a sucessão de lampejos que precede um disparo.» Artur .
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Colhudeiro. «Esta palavra admirável que tem na Bahia para designar mentirosos de primeiro time», escreveu João Ubaldo Ribeiro. Hoje é o dia de escolherem qual é o melhor. Artur
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Tentação. Não resisto. Então aqui vai: apareça um candidato que traga Santiago Solari ou Pablo Aimar e apoiá-lo-ei até ao limite das minhas forças. Ponto final. Artur
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Trauliteiro, asqueroso, imbecil. Parei durante pouco mais de um minuto. Até ao momento em que vi que o senhor António Figueiredo, porta-voz da actual direcção, também participava no programa. Nunca pensei que este trauliteiro, asqueroso e imbecil ainda estivesse activo. De facto, não há solução, este clube agarra tudo. Artur
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Discursos. Embora com atraso, não quero deixar de referir o facto inusitado de o novo estádio da Luz ter sido inaugurado ao som da verborreia sportinguista. Ele foi o Sampaio, ele foi o Loureiro, ele foi o Santana, ele foi o Durão... o povo não gostou e vingou-se. Frederico
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Verdade integral. Não foi um cronista desportivo assíduo como Nelson Rodrigues ou José Lins do Rego. Nem precisava. Paulo Mendes Campos, poeta, tradutor, repórter, junta-se ao olimpo dos mestres brasileiros na arte de contar «a bola». Adepto do Botafogo, viu de perto uma geração de craques como Garrincha - bastava só Garrincha. Talvez por isso, escreveu: «A verdade integral é a bola. O futebol paixão. Esse amor que faz um homem de quarenta e tantos anos sofrear o sono da fadiga para rememorar em câmara lenta o gol de cobertura que fez pela manhã.»
P.S. – Enquanto o foclore eleitoral benfiquista não acaba, o melhor antídoto é, sem dúvida, revisitar velhos cronistas, velhos contadores de histórias da «bola». Velhas memórias, mesmo que distantes. Mesmo que do outro lado do mar. «A verdade integral é a bola.» Artur
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Notas de uma inauguração III. O cabelo de Simão. Um senhor de nome «Barbas» a comer, literalmente, a relva. O discurso de Fialho Gouveia. A águia a comer carne. O golo sofrido. A exibição possível da terceira equipa do Nacional de Montevideu. O pontapé de Eusébio. Os olhos em lágrimas do autarca Pedro Santana Lopes. O tinto, a bifana e os vários barretes. «No dia em que a criatura humana perder a capacidade de admirar, cairá de quatro, para sempre», escreveu Nelson Rodrigues na Manchete Desportiva . Artur
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Notas de uma inauguração II. Sim, só dois ou três jogadores mereciam, em condições normais, jogar na inauguração do novo estádio - condições normais que, sabemo-lo, não se verificam há dez anos. Adiante. Mesmo no estado actual, e por respeito pelos adeptos, Fernando Aguiar nunca poderia ter pisado aquele relvado. Não entrar, de todo, na Luz seria a melhor solução. Como tal não foi possível, então o jogador deveria ter ficado na fase de aquecimento até ao final da festa. Era o mínimo. Artur
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Notas de uma inauguração. Os assobios, em uníssono, pretenderam humilhar o primeiro-ministro. No entanto, no final do discurso, milhares de adeptos aplaudiram o «Viva ao Benfica» do senhor Durão Barroso. Humilharam-se a si próprios. Será que nunca vão aprender? Artur
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Um mestre. Do passe longo, sobretudo. A propósito de Didí, um dos maiores mestres na criação de jogo de sempre, escreveu Eduardo Galeano: «Didí jogava parado. Mostrando a bola, dizia: ‘É ela quem corre’.» Amanhã, já o escrevi, não estarei presente na inauguração. Por muitas razões – algumas aqui desenvolvidas. Mas, sobretudo, porque sei que ali, no novo estádio, serão os jogadores a correr, desaforidos, atrás da bola, sem que, por um único momento, alguém se lembre de Didí. Artur
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22 de Outubro. É uma das melhores imagens desportivas deste ano. O FC Porto vence em qualquer estádio e os seus jogadores e técnicos mantêm a serenidade de verdadeiros campeões – não, não referi o presidente. A excepção foi a final da Taça UEFA, onde o senhor José Mourinho foi vencido pela euforia. Mesmo para quem, como eu, não gosta de exaltações, reconhece-se que existia uma forte – demasiado forte – justificação para a corrida em saltos do treinador. Ontem, em Marselha, o Porto respirou, mais uma vez, aquela serenidade de vencedor. Ontem, em Lisboa, o senhor João Malheiro apresentava o novo CD «Benfica – O disco da nova catedral», os jogadores apelavam aos adeptos para vestirem roupa vermelha na inauguração, a verborreia eleitoral continuava rasteira, a equipa treinava para um jogo sem história, mas que terá 65 mil sócios assistir. Enfim, o dia de ontem, mais uma vez, marcou a diferença. A diferença entre o foclore típico de clubes provincianos e a serenidade dos campeões. Artur
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Vilarinho.«Parece um milagre. Tenho muitos cabelos brancos à custa deste estádio». E eu a pensar que era por causa dos resultados da equipa de futebol... Frederico